I S2 porn
SPOILER ALERT: TEXTO HIPÓCRITA E FALSO MORALISTA
Há alguns dias, em um dos 485 grupos de whatsapp que
participo, compartilharam dezenas de vídeos pornográficos, entre amadores e
profissionais, dos mais variados fetiches. Ao mesmo tempo, enviei um texto
explicando como a pornografia se desenvolveu nos últimos anos para a degradação
da mulher e como isso interfere diretamente nas crianças e jovens que tem
acesso irrestrito a esse tipo de conteúdo.
O retorno dos amigos foi bem interessante. Enquanto uns se
resumiram ao “virou viado”, outros sugeriram que, caso não satisfeito com o
conteúdo, ficasse à vontade para sair do grupo. O que eu achei mais
interessante foi “aqui é um grupo de amigos que compartilham esse tipo de coisa
para tirar o estresse do dia-a-dia, aqui só tem cão que late e não morde”.
Desde o início fui ensinado que pornografia é um campo
perigoso. Nunca fui de assistir com amigos ou parceiras, sempre sozinho no
quarto. Desta forma me sentia mais à vontade, até para procurar qualquer
fetiche que me saciasse no momento. No fundo eu sabia que era mais doentio que
saudável, mas como estava ali, isolado, sem ninguém para limitar ou recriminar,
consumia o quanto e o que queria, dando boas justificativas para ficar ali por
horas.
De uns tempos pra cá, percebi o quanto a pornografia é uma
coisa meio cretina. Lembro-me do caso Elisa Samudio e Bruno, ex-goleiro do
Flamengo. Todo mundo compartilhando fotos e vídeos de quando ela era atriz
pornô. Eu ficava pensando “que louco isso, a mulher foi cortada em pedacinhos e
jogada pros cachorros”. Eu realmente não conseguia assistir. É tipo aquele
desejo mórbido que eu não tenho em assistir vídeos de gente morta. Fora todo
crime organizado que rola por trás das produções desses vídeos e, tratando-se
dos amadores, a exposição de pessoas que cogitam até o suicídio quando tem suas
fotos e vídeos vazados online.
Segundo o psiquiatra canadense Norman Doidge, a conexão
rápida com a internet “satisfaz todos os pré-requisitos necessários para uma
mudança neuroplástica”. Por isso, com a popularização das cenas eróticas, o que
antes era considerada “pornografia suave” hoje nem mais é considerado
pornográfico; e o que era “pornografia grave” é norma atual e tem uma tendência
perigosa à violência e ao domínio sobre o outro.
No começo, descreve o psiquiatra, a pessoa sente repugnância
a certas práticas e conteúdos. Com o tempo, se acostuma e procura doses cada
vez mais fortes para alcançar os mesmos resultados. A consequência do consumo
frequente seria a perda do prazer nas relações sexuais reais e sadias. Crianças
e jovens são as principais vítimas dos crimes cibernéticos, aliciados por
pedófilos de maneira bem moderada e comedida.
Acredito que tudo isso é decorrente de toda publicidade e
humor machista ao qual somos bombardeados diariamente, gerando toda violência
de gênero. Isso sem falar das transexuais, que já são marginalizadas por não se
encaixarem em um “padrão social a, b ou c”. Aliás, o que não falta é depoimento
de transexual que trabalha com prostituição e atende “pai de família”.
É um tal de provar a masculinidade para os parças que chega
a ser no mínimo estranho, patético e cômico. O caso aqui nem é questionar o
porquê a mulher faz conteúdo pornográfico ou não, cada um deve ser livre para
fazer o que quiser com seu corpo. Nem apontar hipocrisia de ninguém.
A questão sou eu comigo mesmo. O que busco na pornografia é
algo saudável? Como colaboro com os mais variados tipos de crime, considerando
que não existem fronteiras na pornografia? O que eu ganho compartilhando conteúdo
pornográfico ou nudez amadora?
São apenas perguntas reflexivas, onde cada homem orgulhoso
de ser hétero, macho e patriarca pode buscar a resposta no fundo de sua consciência.
Pra quê e pra quem você quer provar sua virilidade? ¯\_(ツ)_/¯
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